Para planos coletivos empresariais, a ANS não define teto de reajuste. O percentual é negociado diretamente com a operadora, com base na sinistralidade do grupo e na inflação médica do setor. Isso significa que, sem acompanhamento técnico, sua empresa pode aceitar um reajuste muito acima do que seria justo — e nem saber disso.
Deixa eu te contar uma cena que acontece toda semana em alguma empresa de Campinas.
O RH abre o e-mail. Lá está a proposta de renovação da operadora. O número dói. Vinte, vinte e cinco, às vezes trinta por cento de aumento. O gestor suspira, assina, e segue a vida — achando que não tem saída.
Mas tem. E quem conhece as regras do jogo negocia diferente.
Por que o reajuste do plano empresarial é tão diferente do individual?
Muita gente não sabe, mas existem dois mundos completamente distintos dentro do mercado de planos de saúde.
A ANS limitou a 6,06% o percentual de reajuste anual para planos individuais e familiares regulamentados — teto válido para o período entre maio de 2025 e abril de 2026, protegendo aproximadamente 8,6 milhões de beneficiários. GOV.BR
Para os planos coletivos empresariais, a realidade é outra. Os contratos coletivos, sejam empresariais ou por adesão, não se submetem ao teto de reajuste da ANS. A negociação é realizada diretamente entre a operadora e a empresa, o que pode deixar o consumidor final em posição de maior vulnerabilidade. Migalhas
Traduzindo: enquanto o plano familiar tem proteção legal de teto, o plano da sua empresa fica exposto à negociação livre com a operadora. Quem não sabe negociar, paga mais.
O que determina o percentual de reajuste da sua empresa?
Dois fatores principais entram nessa conta:
Sinistralidade: é a relação entre o que sua empresa paga e o que ela utiliza. A partir de 30 beneficiários, o reajuste é calculado com base na sinistralidade específica do grupo. Empresas que monitoram mensalmente o índice de utilização e chegam à renovação com sinistralidade controlada têm real poder de negociação.
Agrupamento — para PMEs com até 29 vidas: A RN 565/22 da ANS estabeleceu o chamado “agrupamento de contratos” ou “pool de risco”, determinando que as operadoras agrupem todos os contratos com menos de 30 beneficiários para calcular um percentual de reajuste único, aplicado a todo o grupo. Migalhas
Isso importa porque uma empresa organizada, com time saudável e sinistralidade baixa, pode acabar pagando o mesmo reajuste de outra com uso altíssimo do plano. É a regra do jogo para quem está nesse pool.
Quanto as empresas pagaram de reajuste no ciclo 2025?
SulAmérica reduziu o percentual de 19,7% para 15,2% e Bradesco Saúde de 21% para 15,1%, enquanto a Unimed Nacional destoou e elevou o reajuste para 19,5% no ciclo de maio de 2025 a abril de 2026. Ainda assim, o índice de reajuste para contratos individuais e familiares foi de apenas 6,06% — menos da metade dos percentuais divulgados para planos empresariais. Elton Fernandes
E para 2026? A expectativa de especialistas para contratos coletivos com menos de 30 vidas é de reajustes que podem variar entre 15% e 20%, ou até mais. Para planos coletivos com mais de 30 vidas, a projeção é de reajuste superior a 25% para a maioria dos contratos. Migalhas
Como sua empresa pode chegar à renovação em posição mais forte?
A negociação não começa quando a proposta chega. Começa doze meses antes.
Monitorar a sinistralidade ao longo do ano, promover ações de saúde preventiva entre os colaboradores e comparar propostas de diferentes operadoras são as estratégias que realmente funcionam. Ao receber a notificação de reajuste, vale sempre solicitar por escrito o cálculo e o índice aplicado e comparar com o histórico dos últimos três anos.
Um passo que poucos donos de empresa dão — e que muda muito o resultado da negociação.
E se o reajuste parecer abusivo?
Os consumidores podem optar pela portabilidade de carências para outra operadora caso entendam que o plano não está lhes atendendo adequadamente. As opções disponíveis podem ser comparadas no Guia ANS, no portal da agência. Em caso de dúvidas, o canal de atendimento da ANS é o Disque ANS: 0800 701 9656. GOV.BR
Além disso, reajustes sem justificativa técnica clara podem ser contestados. Guardar o histórico dos últimos três anos e ter uma consultoria acompanhando o contrato é o que garante argumentos sólidos na hora de questionar um aumento fora da curva.
O papel de uma consultoria especializada
Uma corretora comum fecha a venda e some. Uma consultoria de planos de saúde acompanha o contrato ao longo do ano — monitora sinistralidade, identifica tendências de alta antes que virem problema e chega à renovação com dados concretos para negociar.
Não é sorte. É método.
A conta que vale fazer agora
Pense assim: se a sua folha inclui 20 colaboradores e o plano custa em média R$ 500 por vida, são R$ 10.000 por mês. Um reajuste de 20% significa R$ 2.000 a mais todo mês — R$ 24.000 por ano.
Esse valor, com a assessoria certa, pode ficar no seu caixa.
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Marina / Equipe Zelaris
